A Hegemonia do Inglês na BNCC: entre o Ideal, a Materialidade das Contradições e a Retórica de uma Cidadania Global Monolíngue
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.17879358Resumo
Este artigo analisa a hegemonia do inglês na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), tensionando o ideal de sua proposta, a materialidade das escolas brasileiras e a retórica de uma cidadania global monolíngue. O problema de pesquisa questiona em que medida a BNCC, ao eleger o inglês como língua obrigatória, reproduz contradições históricas do ensino de línguas no Brasil. Para enfrentar esta questão, o objetivo geral traçado foi desvelar as tensões inerentes à proposta da BNCC em comparação com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), especificamente caracterizando sua evolução paradigmática, identificando dissonâncias com a realidade escolar e analisando as implicações políticas do monolinguismo. A justificativa assenta-se na relevância de uma abordagem crítica que articula teoria e prática. Quanto à fundamentação teórico-metodológica, a pesquisa, de natureza qualitativa e crítica, valeu-se da análise documental, contrastando a BNCC e os PCNs à luz de autores como Rajagopalan (2004) e Moita Lopes (2008). Os resultados e discussões evidenciam que, apesar dos avanços conceituais da BNCC, sua implementação esbarra na precária formação docente, na infraestrutura inadequada e na marginalização do espanhol, aprofundando desigualdades. Por fim, a conclusão aponta que a BNCC, sob um discurso estritamente neoliberal, nega na prática o pluralismo linguístico, reproduzindo hierarquias e promovendo uma cidadania excludente, o que demanda políticas linguísticas mais coerentes com a realidade educacional.
Palavras-chave: BNCC. Ensino. Hegemonia. Cidadania Global. Língua Inglesa.